Síndrome de Burnout: Sintomas e Tratamento

Tempo de leitura: 9 minutos

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Síndrome de Burnout: Sintomas e Tratamento

A síndrome de burnout é um distúrbio psíquico caracterizado pelo estado de tensão emocional e estresse provocados por condições de trabalho desgastantes. Professores e policiais estão entre as classes mais atingidas.

O que é a Sindrome de Burnout

A síndrome de burnout, ou síndrome do esgotamento profissional, é um distúrbio psíquico descrito em 1974 por Freudenberger, um médico americano. O transtorno está registrado no grupo 24 do CID-11 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde) como um dos fatores que influenciam a saúde ou o contato com serviços de saúde, entre os problemas relacionados ao emprego e desemprego.

Sua principal característica é o estado de tensão emocional e estresse crônicos provocado por condições de trabalho físicas, emocionais e psicológicas desgastantes. A síndrome se manifesta especialmente em pessoas cuja profissão exige envolvimento interpessoal direto e intenso.

Profissionais das áreas de educação, saúde, assistência social, recursos humanos, agentes penitenciários, bombeiros, policiais e mulheres que enfrentam dupla jornada correm risco maior de desenvolver o transtorno.

Como reconhecer os sinais

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Cuidado ao ser Multi-Tarefa

Três características marcam a doença. A primeira é a exaustão, citada por 97% das brasileiras na pesquisa do Isma. “A sensação é de estar no vermelho, sem recursos físicos e emocionais”. Há fraqueza, dores musculares e de cabeça, náuseas, alergias, queda de cabelo, distúrbios do sono, maior suscetibilidade a gripes e diminuição do desejo sexual; 91% relataram desesperança, solidão, raiva, impaciência e depressão; 85% citaram raciocínio lento, memória alterada e baixa autoestima.

A segunda característica, com traços emocionais, liga-se à despersonalização ou ceticismo e distanciamento afetivo. O profissional passa a ter contato frio e irônico com os receptores do seu trabalho e, não raro, torna-se uma presença ranzinza e negativista. A terceira refere-se mais à produtividade, com baixo grau de satisfação pessoal. A pessoa produz pouco e acha que isso não tem valor. A escalada até o caos é progressiva.

As mudanças também são graduais e em fases. O sono já não consegue reparar o organismo.

Na etapa seguinte, a queda no rendimento levanta dúvidas quanto à própria capacidade. Depois, predomina a agressividade. Os hormônios liberados nos ataques de ira (como o cortisol, produzido na suprarrenal) ampliam o risco de diabetes, cardiopatias, doenças autoimunes, crises de pânico e depressão. Por último, instala-se o esgotamento total.

O maior inimigo, a Perfeição

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Não ultrapasse seus Limites

O burnout é produto de um mix de fatores pessoais, profissionais e sociais. Entre as causas individuais destacam-se o perfeccionismo, que leva à busca de uma excelência às vezes impossível, e o idealismo em relação à profissão, cobrando um engajamento pessoal para além dos limites.

Uma revisão de estudos feita pela equipe da psiquiatra Telma Trigo, no Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, em 2007, apontou ainda competitividade, impaciência, necessidade exagerada de controlar as situações e dificuldade para tolerar frustração, delegar tarefas e trabalhar em grupo.

Os fatores laborais que servem de gatilho são: demandas excessivas que ultrapassam a capacidade de realização, baixo nível de autonomia e de participação nas decisões, falta de apoio das chefias, sentimento de injustiça, impossibilidade de promoção, conflitos com colegas e isolamento. Outro fator comum é a sensação de que é preciso contrariar os próprios valores para se dar bem na carreira.

Como tratar a Síndrome de Burnout

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Como Tratar

Esse mal acaba de ser reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como doença. Por isso, admite-se o afastamento para debelar a síndrome. O problema está na dificuldade de diagnosticar – muitas vezes ela é confundida com depressão. Em geral, antidepressivos fornecem certo alívio. Mas o tratamento compreende mais coisas.

É preciso desacelerar. A mudança pode vir por meio de psicoterapia. Meditação e técnicas de relaxamento associadas ao tratamento combatem esse tipo de stress, como demonstrou uma revisão de 58 estudos com 7 188 participantes feita pela Cochrane Library e divulgada em dezembro.

Como Fugir da Síndrome de Burnout

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Saiba relaxar também
  • Abandone o lema “Meu nome é trabalho”. Não coloque todos os ovos numa cesta só. Diversifique as fontes de gratificação e descubra seus hábitos de prazer. Leia mais, vá ao cinema, curta os amigos e os pets.
  • Faça uma avaliação sobre custo e benefício: o que a atraiu nesse emprego e a mantém aí? A possibilidade de ajudar as pessoas?
  • O salário? Seja qual for a motivação, focalize no que é positivo em vez de olhar os aspectos negativos que, em geral, são muitos.
  • Restabeleça contatos profissionais. Faça networking, procure novas chances no mercado ou em outro setor da empresa se o que você faz, no momento, significa exaustão.
  • Atenção aos sinais emitidos por seu corpo. A exaustão pode ser sintoma de várias doenças, de anemia a distúrbios da tireoide. Na dúvida, consulte um médico. Se for stress, procure desacelerar o ritmo e faça uma coisa de cada vez.
  • Cuide de seu estilo de vida. Alimente- -se bem, em horários regulares, sem exagerar no álcool e na cafeína. Durma o necessário para acordar reanimada.
  • Inclua exercícios físicos na rotina. Eles ativam a circulação, estimulam o metabolismo, energizam e ajudam a administrar o stress.
  • Conte com o apoio da família, dos amigos ou de uma prática espiritual.

O que fazer quando a Síndrome está ocorrendo com um Empregado?

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Atenção aos Colaboradores

Para verdadeiramente combater o esgotamento, os líderes devem criar uma cultura em que os funcionários se sintam encorajados a falar sobre e defender o seu bem-estar, disseram especialistas.

Quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou o esgotamento como um “fenômeno ocupacional” oficial em maio, confirmou que o burnout não é apenas um chavão para se sentir estressado no final de uma semana de trabalho ocupado. Ele classificou o burnout como um sério problema de saúde generalizada.

Uma pesquisa Gallup de 2018 revelou que 23% dos 7.500 trabalhadores pesquisados tem a sensação “queimado” muitas vezes ou sempre. Outro 44% dos funcionários disseram que estão “queimado” às vezes. Isso significa que pessoas em sua equipe, incluindo você, poderiam estar lutando com o burnout neste momento.

Burnout: Tem seus efeitos sobre os empregados e empregadores

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De acordo com a Revisão 11º da OMS da Classificação Internacional de Doenças, o burnout é “uma síndrome conceituada como resultante de estresse no trabalho crônica que não tem sido gerida com sucesso.” Royston Guest, CEO da Pathways Global e Pti Worldwide fundador, colocá-lo em termos mais simples. “Burnout é um estado de esgotamento físico e mental”. É causada por envolvimento a longo prazo em situações emocionalmente exigentes ou cenários.

Enquanto o burnout é sempre causado por estresse, nem todos estresse levam a burnout. A intensidade do estresse, a sua duração e como empregadores e empregados lidam com isso determina se ele se transforma em esgotamento. Como as organizações esperaram menos funcionários para fazer mais trabalho e fazê-lo mais rápido, a possibilidade do burnout é estabelecida.

Burnout causa problemas para os empregados e empresas. De acordo com a “revisão sistemática teve como objetivo resumir as evidências das conseqüências físicas, psicológicas e ocupacionais de burnout trabalho,”  burnout é um “indicador significativo” de condições, tais como diabetes tipo 2, doença cardíaca coronária, dor, dores de cabeça, problemas gastrointestinais, insônia, sintomas depressivos, uso de psicotrópicos e medicamentos antidepressivos, insatisfação no trabalho, absenteísmo e presenteísmo. Burnout afeta as empresas também. Isso resulta em $ 125 a US $ 190 bilhões  por ano em custos de saúde, de acordo com a Stanford Graduate School of Business nos Estados Unidos. Burnout afeta o engajamento dos funcionários, produtividade, segurança e retenção.

Empregador, enfrente o burnout

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Enfrente ao lado do seu Colaborador

Os líderes de RH podem prender a atenção do C-suite e fazer o business case para enfrentar o burnout, apresentando a pesquisa dos numerosos estudos que demonstram a eficácia de programas de bem-estar no local de trabalho. Em vez de realizar uma pesquisa de acoplamento, conduzir uma pesquisa da neutralização. Como as empresas tomam medidas para melhorar o bem-estar, eles devem medir as melhorias em áreas como compensação do trabalhador, os conflitos empregado ou dias doentes.

Faça agora o Teste para Saber se sofre da Síndrome de Burnout

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Faça o Teste!

Como funciona: atribua a nota 1 se a frase se aplica raramente à sua vida, 2 se acontece às vezes ou 3 se ocorre frequentemente. Ao final das 12 etapas, faça a soma e confira o resultado logo a sequência.

Frases

  1. Minha rotina tem mais custos do que benefícios
  2. Mesmo quando estou de férias, me sinto cansado e desmotivado
  3. Tenho pouco controle sobre o ritmo e o cronograma do meu trabalho
  4. Sinto-me sobrecarregado mesmo quando não estou trabalhando
  5. Tenho faltado ao trabalho porque me sinto doente
  6. Considero meu desempenho profissional insatisfatório
  7. Tenho me isolado de meus amigos e familiares
  8. Executo tarefas incompatíveis com meus valores
  9. Sou responsável por projetos sem ter recursos para executá-los
  10. Uso medicamentos e/ou bebidas alcoólicas para relaxar
  11. Minha vida sexual se tornou mais uma tarefa a cumprir
  12. Sinto que estou em um beco sem saída

Resultados

Até 14 pontos: Parabéns! Você é do tipo que sabe delegar responsabilidades, estabelecer metas realistas e recusar exigências absurdas. Continue assim. Sua saúde mental agradece.

De 15 a 26 pontos: Atenção! O burnout está virando a esquina. Que tal reavaliar suas expectativas? Se o custo é mais alto que o benefício, o esgotamento é uma questão de tempo.

Acima de 26 pontos: Cuidado! Você está a um passo do burnout. Procure conversar a respeito com colegas ou familiares. Se o estresse ocupacional chegou a níveis intensos, não postergue uma visita ao médico.

Recado importante: esse teste não substitui de maneira alguma a avaliação o profissional da saúde. Procure um médico ou um psicólogo se sentir qualquer incômodo ou abalo no bem-estar para fazer o diagnóstico precoce e iniciar o tratamento quanto antes.

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2 Comentários


  1. Interessante! Parabéns pela matéria! Fiz o teste e na minha situação atual estou tranquila. Mas, com certeza, daria um resultado diferente se eu fizesse referente ao meu emprego anterior…estaria virando a esquina!

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